O sambista paulistano Haleu viveu anos em Nova York, mas foi em San Diego que consolidou sua carreira musical nos Estados Unidos. Entre rodas de samba, choro e maracatu, ele construiu uma trajetória marcada por aprendizado, encontros e identidade cultural. Hoje, atua como diretor de bateria e referência da música brasileira na Califórnia. Uma história de imigração, arte e pertencimento.
Halysson Araujo da Silva, conhecido artisticamente como Haleu, nasceu em São Paulo e foi criado em uma família com forte presença musical. Sua infância foi embalada pelos acordes do choro de Pixinguinha e Dilermando Reis, os boleros de Nelson Gonçalves, os sambas icônicos de Fundo de Quintal, Alcione e Almir Guineto, além dos ritmos das Escolas de Samba paulistanas.
As primeiras batidas e a formação musical
O primeiro contato direto com o ritmo aconteceu ao ver seu tio tocar repique de mão, algo que o marcou profundamente. Mais tarde, acompanhou o grupo de samba Feitiço no Ar, uma rapaziada que, apesar de mais nova, possuía maturidade musical admirável.
“Foi uma escola para mim. Eu me sentava, ouvia e aprendia. Essa convivência despertou o desejo de tocar mundo afora”, conta.
O sonho americano começa em Nova York
Haleu tinha um grande sonho: morar nos Estados Unidos. Desde 1999, quando visitou seu primo Zaca e sua tia Dona Vani em Nova York, ele sabia que retornaria. Por um acordo com seus pais, resolveu primeiro concluir os estudos. Assim, em 3 de setembro de 2002, desembarcou novamente em NYC.
“O impacto inicial não foi tão grande, pois Nova York tem a energia de São Paulo. Mas a solidão bateu forte.”
Essa solidão o levou a explorar a cidade e descobrir sua rica cena musical. Foi nessas caminhadas que conheceu o jazz nova-iorquino e, inesperadamente, reencontrou suas raízes brasileiras ao esbarrar com o Choro Ensemble. O percussionista Zé Maurício lhe presenteou com um pandeiro — um gesto que abriu portas importantes.
“Foi um período de aprendizado intenso, conhecendo e tocando com artistas como Nani Assis e Caco Oliveira.”
A virada da vida: San Diego
Em outubro de 2006, Haleu decidiu se mudar para San Diego, acompanhando sua então namorada, que havia recebido uma proposta de trabalho. A decisão veio após um conselho marcante do pai, que enfrentava problemas de saúde:
“A vida tem limites, enquanto o seu não chega, aproveite.”
A adaptação não foi simples. O ritmo era outro, mais tranquilo que Nova York e São Paulo.
“No início, estranhei as festas que terminavam cedo, mas logo percebi que a vida diurna era mais saudável.”
Inserção na cena musical da Califórnia
Rapidamente, Haleu encontrou espaço na cena local, integrando grupos como SambaChopps e Mais que Nada, além de se aproximar de grandes nomes da percussão, como Fabio Oliveira, Fabio Velloso, Carlinhos Pandeiro de Ouro e Jorge Alabe.
Ao longo da trajetória nos EUA, participou de projetos relevantes como Brasil Council on Samba, Choro Sotaque, Maracatu Jangada e Banda Radio Brazil, no Arizona. Também cofundou o grupo Resenha California e acompanhou artistas consagrados, como Jorge Aragão, Neguinho da Beija-Flor e Marquinhos Sensação.
Atualmente, é diretor de bateria da Supersonics Samba School e atua em diversos eventos culturais pela Califórnia.
Brasil x Estados Unidos: diferenças culturais
Haleu reflete sobre as diferenças entre os dois países:
“Nada se compara ao Brasil no quesito calor humano e celebração da vida. Aqui nos EUA temos mais segurança e oportunidades, mas o ritmo social é outro.”
Seu conselho para brasileiros que desejam seguir caminho semelhante é direto:
“Venha preparado. Aprenda inglês, crie uma rede de contatos e estude a cultura local.”
Música e inteligência artificial
Sobre o impacto da IA na música, Haleu é categórico:
“Não vejo problema em usá-la como complemento, mas música é calor, interação. Ela nunca substituirá a emoção de uma roda de samba.”
E encerra com uma mensagem que resume sua trajetória:
“Música é vida, é cura. Toquem, dancem, celebrem. E nos vemos nos sambas da vida!” – @haleu_percussao
Se gostou da história de Haleu, é bom saber que já contamos a história de mais de 60 músicos brasileiros residentes no Sul da Califórnia, celebrando suas trajetórias e contribuições para a música. Confira o especial completo e mergulhe nesse universo de talento e cultura!
FAQ – Perguntas Frequentes
1. Quem é Haleu?
Haleu é o nome artístico de Halysson Araujo da Silva, sambista e percussionista brasileiro radicado na Califórnia.
2. Onde Haleu morou nos Estados Unidos?
Ele viveu inicialmente em Nova York e, desde 2006, mora em San Diego, na Califórnia.
3. Quais estilos musicais ele trabalha?
Samba, choro, maracatu e música brasileira em geral.
4. Haleu já tocou com artistas famosos?
Sim. Acompanhou nomes como Jorge Aragão, Neguinho da Beija-Flor e Marquinhos Sensação.
5. Ele atua profissionalmente hoje?
Sim. É diretor de bateria da Supersonics Samba School e participa de eventos culturais na Califórnia.
