As regras adotadas pelas companhias aéreas dos Estados Unidos durante a pandemia, como o bloqueio de assentos, já não estão em vigor. Em 2026, passageiros podem comparar as empresas por indicadores como atrasos, bagagem extraviada, reclamações e overbooking, além de verificar as condições sanitárias e operacionais antes de viajar.

 

Os voos nos Estados Unidos voltaram ao cenário pós-pandemia, e o bloqueio de assentos deixou de ser um critério geral de comparação.

Os voos nos Estados Unidos voltaram ao cenário pós-pandemia, e o bloqueio de assentos deixou de ser um critério geral de comparação.

Se você vive nos Estados Unidos ou mesmo no Brasil, já deve ter se perguntado: qual companhia aérea oferece melhores condições para viajar? Como saber se um voo estará lotado? E quais fatores devem ser considerados na hora de escolher uma empresa?

Essas perguntas ganharam ainda mais importância durante a pandemia de Covid-19, quando as companhias aéreas adotaram políticas diferentes para tentar reduzir a circulação do vírus dentro das aeronaves.

Hoje, porém, o cenário é diferente. O transporte aéreo voltou aos níveis próximos aos registrados antes da pandemia, e as regras extraordinárias de distanciamento adotadas pelas empresas em 2020 e 2021 foram encerradas.

Como está a situação dos voos nos Estados Unidos em 2026?

O setor aéreo americano opera atualmente em um cenário muito diferente daquele apresentado na matéria original, publicada durante a pandemia.

O CDC informa que o volume global de viagens aéreas já retornou aos níveis pré-pandemia. Ao mesmo tempo, a Covid-19 continua circulando nos Estados Unidos. Em atualização de 21 de agosto de 2026, o órgão informou que a atividade nacional de Covid-19 estava aumentando, enquanto a atividade de gripe e RSV permanecia baixa na maior parte do país.

Por isso, para quem pretende viajar, a questão deixou de ser simplesmente “qual companhia bloqueia o assento do meio?” e passou a envolver outros fatores, como pontualidade, cancelamentos, bagagem, atendimento ao consumidor, regras de alteração de passagem e condições específicas de cada voo.

O Departamento de Transportes dos Estados Unidos (DOT) publica mensalmente o Air Travel Consumer Report, que reúne dados sobre atrasos, bagagem extraviada ou danificada, cadeiras de rodas e scooters, overbooking e reclamações de consumidores. O relatório mais recente disponível em setembro de 2026 reúne dados de junho e do primeiro semestre de 2026.

Qual companhia aérea nos EUA merece maior credibilidade?

Não existe uma única métrica oficial que permita afirmar que uma companhia aérea é, em todos os aspectos, “a mais confiável”. A experiência pode variar conforme a rota, aeroporto, tipo de passagem e período da viagem.

Para comparar empresas como Delta Air Lines, American Airlines, United Airlines, Southwest Airlines e Alaska Airlines, o passageiro pode consultar os indicadores oficiais do DOT antes de comprar a passagem.

Entre os principais pontos estão:

  • Atrasos e cancelamentos: ajudam a avaliar a regularidade operacional da companhia.
  • Bagagem: o DOT acompanha casos de bagagem extraviada ou mal administrada.
  • Reclamações: mostram quais problemas os consumidores estão reportando às autoridades.
  • Overbooking: permite acompanhar situações envolvendo venda de mais passagens do que a capacidade disponível.
  • Atendimento ao consumidor: as reclamações registradas podem ajudar o passageiro a identificar problemas recorrentes.
  • Rota específica: uma companhia pode apresentar resultados diferentes dependendo do aeroporto e do trecho escolhido.

O próprio DOT ressalta que suas estatísticas devem ser analisadas considerando o que cada indicador realmente mede. O relatório não funciona como um ranking geral de “melhores companhias”, mas como uma ferramenta de informação ao consumidor.

O que mudou desde a pandemia de Covid-19?

Na época mais crítica da pandemia, as companhias aéreas americanas adotaram estratégias diferentes para reduzir a ocupação das aeronaves.

Havia basicamente dois tipos de cenário: companhias que bloqueavam determinados assentos para oferecer mais espaço entre passageiros e empresas que continuavam vendendo praticamente todos os assentos disponíveis.

A Alaska Airlines, Delta Air Lines e Southwest Airlines estavam entre as empresas que adotaram políticas de bloqueio de assentos em diferentes momentos de 2020. A JetBlue também limitou a venda de determinados assentos durante parte daquele período.

Por outro lado, a United Airlines não adotou o bloqueio de assentos do meio, enquanto a American Airlines interrompeu o bloqueio após os primeiros meses da pandemia. Um estudo acadêmico sobre as estratégias das companhias aéreas em 2020 confirma essas diferenças entre as empresas.

A Delta, por exemplo, chegou a limitar a capacidade de determinadas cabines a 50% ou 60% e bloqueou assentos adicionais como parte de sua estratégia de segurança durante a primeira fase da pandemia.

Posteriormente, a companhia manteve o bloqueio dos assentos do meio por mais tempo que suas principais concorrentes, chegando a estender a política até abril de 2021.

Essas medidas, entretanto, eram extraordinárias e relacionadas à pandemia. Não devem ser utilizadas para avaliar a política atual das companhias aéreas em 2026.

A pressão econômica sobre as companhias aéreas durante a pandemia

O comportamento das empresas em 2020 também estava relacionado à enorme pressão financeira provocada pela queda nas viagens.

Na segunda semana de julho daquele ano, a Delta anunciou que sua receita havia caído 88% no segundo trimestre, com uma perda de US$ 5,7 bilhões. Na mesma semana, a American Airlines informou que poderia demitir até 20 mil funcionários a partir de 1º de outubro, quando os fundos federais de estímulo estavam previstos para expirar.

Entre as quatro maiores companhias aéreas dos Estados Unidos, Delta e Southwest entraram na pandemia em posição financeira melhor do que American e United.

Em meados de julho de 2020, um voo doméstico nos Estados Unidos transportava, em média, cerca de 60 passageiros, o equivalente a uma ocupação próxima de 50%.

American e United adotaram outra estratégia

O DOT acompanha atrasos, bagagem, overbooking e reclamações para ajudar passageiros a avaliar as companhias aéreas.

O DOT acompanha atrasos, bagagem, overbooking e reclamações para ajudar passageiros a avaliar as companhias aéreas.

Em vez de simplesmente bloquear assentos, American Airlines e United Airlines passaram a utilizar notificações pré-voo para informar passageiros quando havia possibilidade de lotação elevada.

Na época, alguns passageiros reclamaram que eventuais mudanças de voo feitas no último momento eram inconvenientes.

Em um comunicado à imprensa, a American Airlines afirmou que havia adotado diversas medidas de proteção, incluindo uso de máscaras, procedimentos de limpeza reforçados e uma lista de verificação de sintomas de Covid-19 antes do voo.

Ao mesmo tempo, houve reclamações de passageiros sobre a falta de distanciamento social em aeronaves mais cheias.

Filtros de ar e circulação dentro do avião

Outro ponto importante durante a pandemia foi o sistema de ventilação das aeronaves.

As companhias aéreas reforçaram a limpeza dos aviões e os protocolos de higienização. Muitas aeronaves comerciais utilizam filtros HEPA e sistemas que renovam e filtram continuamente o ar da cabine.

O CDC explicava, durante a pandemia, que a circulação e a filtragem do ar nas aeronaves ajudavam a reduzir a disseminação de vírus e outros germes durante os voos.

A orientação atual do CDC continua destacando a importância da qualidade do ar para reduzir a exposição a vírus respiratórios, especialmente em ambientes fechados e com aglomeração.

Máscaras e risco de transmissão

Durante a pandemia, o uso de máscaras passou a fazer parte das regras de várias companhias aéreas americanas.

O texto original desta matéria mencionava que a máscara poderia reduzir o risco de infecção em até 70%. Esse número deve ser entendido como uma estimativa associada a estudos e circunstâncias específicas da pandemia, e não como uma medida universal aplicável a qualquer voo ou situação.

Atualmente, as recomendações de prevenção são diferentes das regras emergenciais de 2020. O CDC orienta medidas gerais para reduzir o risco de doenças respiratórias, incluindo atenção à qualidade do ar e às condições de saúde do viajante.

Como escolher uma companhia aérea nos EUA hoje?

Para o brasileiro que mora nos Estados Unidos ou viaja frequentemente entre Brasil e EUA, alguns critérios podem ser mais úteis do que simplesmente procurar uma companhia que tenha oferecido mais espaço durante a pandemia.

Antes de comprar a passagem, vale verificar:

1. Pontualidade da rota
Confira o histórico de atrasos e cancelamentos da companhia no trecho que você pretende fazer.

2. Política de bagagem
Compare franquias, tarifas e custos para malas despachadas e bagagem de mão.

3. Reclamações de passageiros
O Air Travel Consumer Report do DOT permite consultar reclamações registradas contra as companhias.

4. Regras para alterações e cancelamentos
Verifique as condições específicas da tarifa antes da compra.

5. Aeroporto de conexão
Uma passagem aparentemente mais barata pode envolver conexões longas ou aumentar o risco de perder o próximo voo em caso de atraso.

6. Histórico recente da operação
Dados mais recentes são mais úteis para avaliar a experiência atual do que políticas adotadas durante a pandemia.

O DOT disponibiliza os relatórios mensais justamente para que os passageiros tenham acesso a informações sobre a qualidade do serviço oferecido pelas companhias aéreas.

E a segurança dos voos?

É importante separar qualidade do serviço ao passageiro de segurança operacional.

Atrasos, bagagem e reclamações podem ajudar a avaliar a experiência do consumidor, mas não são, por si só, medidas de segurança aérea.

Nos Estados Unidos, ocorrências envolvendo a aviação comercial são acompanhadas pelas autoridades federais, incluindo a Federal Aviation Administration (FAA), que publica informações sobre acidentes e incidentes e informa quando investigações estão em andamento.

Por isso, quem procura uma companhia aérea para viajar deve evitar concluir que uma empresa é “mais segura” simplesmente porque apresenta menos reclamações ou menos atrasos.

Para quem mora nos EUA e viaja ao Brasil

Para brasileiros residentes nos Estados Unidos, a escolha da companhia também pode depender da cidade de origem, do destino no Brasil e da existência de voo direto.

A Soul Brasil já publicou um guia sobre as principais companhias que conectam os Estados Unidos ao Brasil, incluindo Delta, American, LATAM, Azul, Gol e United, com informações sobre rotas diretas e conexões. Conheça as companhias aéreas que conectam os Estados Unidos com o Brasil.

Também é importante conferir a documentação antes da viagem. A Soul Brasil mantém um guia sobre passaporte e documentos brasileiros para quem vive nos EUA, com informações sobre emissão e regularização de documentos.

Para quem vai viajar dentro dos Estados Unidos, outro ponto atual é a documentação aceita nos aeroportos. A Soul Brasil também explica as mudanças relacionadas ao REAL ID e às regras de identificação para voos domésticos. Veja as regras do REAL ID para viajar nos EUA.

Conclusão

Delta, American, United, Southwest e Alaska adotaram estratégias diferentes durante a pandemia, mas essas políticas são históricas.

Delta, American, United, Southwest e Alaska adotaram estratégias diferentes durante a pandemia, mas essas políticas são históricas.

A realidade dos voos nos Estados Unidos mudou significativamente desde a pandemia. O bloqueio de assentos, que foi um dos principais critérios utilizados pelos passageiros em 2020, já não é uma referência adequada para escolher uma companhia aérea em 2026.

Para tomar uma decisão mais informada, o passageiro pode combinar dados recentes do DOT sobre atrasos, bagagem, reclamações e overbooking com informações sobre a rota, preço, conexões, regras da tarifa e condições específicas da viagem.

Durante a pandemia, Delta, Southwest, Alaska, JetBlue, American e United adotaram políticas diferentes de ocupação e distanciamento. Essas diferenças fazem parte do histórico da aviação durante a Covid-19 e ajudam a entender o contexto original desta matéria, mas não devem ser tratadas como retrato das políticas atuais.

FAQ – Perguntas frequentes

1. As companhias aéreas dos EUA ainda bloqueiam o assento do meio?

Não como regra geral relacionada à Covid-19. O bloqueio de assentos foi uma medida extraordinária adotada por várias companhias durante a pandemia e posteriormente encerrada.

2. Qual companhia aérea dos EUA é mais confiável?

Não há uma única resposta que sirva para todos os passageiros. O ideal é comparar indicadores recentes, como atrasos, cancelamentos, bagagem, reclamações e overbooking, além das características da rota. O DOT disponibiliza esses dados em seus relatórios mensais.

3. Os aviões comerciais têm filtros de ar?

Muitas aeronaves comerciais utilizam sistemas de filtragem e circulação de ar, incluindo filtros HEPA em diversos modelos. A qualidade da ventilação é considerada um dos fatores importantes para reduzir a concentração de partículas em ambientes fechados.

4. Ainda existe Covid-19 nos Estados Unidos?

Sim. A Covid-19 continua circulando. Em atualização de agosto de 2026, o CDC informou que a atividade nacional de Covid-19 estava aumentando, embora a atividade geral de doenças respiratórias agudas que levam pessoas a procurar atendimento estivesse muito baixa.

5. Onde consultar informações sobre uma companhia aérea antes de comprar a passagem?

O Departamento de Transportes dos EUA publica o Air Travel Consumer Report, com dados sobre atrasos, bagagem, overbooking e reclamações. O relatório é uma das fontes oficiais disponíveis para comparar o desempenho das companhias.