Por que consumidores estão rejeitando anúncios e flyers feitos por IA? Pesquisas nos EUA indicam crescente resistência à publicidade que parece excessivamente artificial ou substitui a criatividade humana. Em 2026, 49% dos americanos disseram enxergar negativamente o uso de IA na criação de anúncios, chegando a 66% entre pessoas de 18 a 29 anos. Ao mesmo tempo, 75% aceitam IA como ferramenta para brainstorming e primeiros rascunhos, indicando que o problema não é necessariamente usar IA, mas como ela é utilizada.

 

Flyers criados por IA são criticados por parecerem genéricos e artificiais.

Flyers criados por IA são criticados por parecerem genéricos e artificiais.

 A inteligência artificial está transformando o marketing em velocidade impressionante. Textos, imagens, vídeos e campanhas que antes exigiam horas — ou equipes inteiras — podem agora ser produzidos em minutos. Mas uma nova tendência nos Estados Unidos revela algo importante: usar IA não significa necessariamente conquistar o consumidor.

Uma pesquisa de 2026 da Bentley University em parceria com a Gallup mostrou que 79% dos americanos afirmam ter visto, nos últimos 30 dias, anúncios que pareciam produzidos com inteligência artificial. A reação não é exatamente positiva: 49% veem negativamente o uso de IA na criação de publicidade, enquanto apenas 19% têm uma percepção positiva. Entre americanos de 18 a 29 anos, a rejeição chega a 66%.

A ascensão do “anti-AI flyer”

Nas redes sociais americanas, uma das manifestações mais curiosas dessa resistência aparece nos tradicionais flyers de restaurantes, bares, festas, feiras e pequenos negócios. Flyers claramente gerados por IA vêm sendo criticados por usuários que consideram muitos deles genéricos, artificiais ou excessivamente parecidos. Discussões recentes em comunidades online chegam a demonstrar certa nostalgia pelos antigos cartazes feitos de maneira amadora, com clip art, WordArt ou ferramentas simples de design.

Não existe, pelo menos por enquanto, um “anti-flyer movement” formalmente organizado. Mas existe uma reação cultural que profissionais de comunicação deveriam observar. O paradoxo é interessante: quanto mais fácil fica produzir uma imagem aparentemente profissional, maior pode se tornar o valor percebido de algo que pareça genuinamente humano e original.

O problema não é usar IA

Os próprios números ajudam a esclarecer essa questão. Cerca de 75% dos americanos consideram aceitável que empresas utilizem IA para brainstorming e primeiros rascunhos de publicidade, desde que isso seja claramente divulgado. Até mesmo para textos, imagens ou vídeos finais, 53% consideram o uso aceitável. A resistência aumenta significativamente quando a tecnologia substitui pessoas: 62% consideram inaceitável criar artificialmente pessoas ou vozes para anúncios, mesmo com divulgação do uso de IA.

A mensagem para profissionais e pequenos negócios, portanto, não deveria ser “pare de usar inteligência artificial”, mas sim “aprenda onde e como utilizá-la”. IA pode ajudar na pesquisa, criação de conceitos, brainstorming, desenvolvimento de headlines, variações de layouts, edição e inúmeras etapas do processo criativo. O problema começa quando a conveniência substitui completamente direção de arte, identidade visual, conhecimento da audiência e julgamento humano.

Até a reação contra IA virou marketing

Para as marcas, a lição é combinar a eficiência da IA com o olhar humano.

Para as marcas, a lição é combinar a eficiência da IA com o olhar humano.

Algumas marcas já perceberam essa mudança de sentimento. A Liquid Death e a Garage Beer, conhecidas pelo marketing irreverente, lançaram em agosto de 2026 a campanha “We Want Your Pee”, estrelada pelo ex-jogador da NFL Jason Kelce e ironizando o enorme consumo de água associado aos data centers utilizados pela indústria de IA.

A campanha demonstra como até a crescente ansiedade em torno da inteligência artificial está se transformando em matéria-prima para publicidade. 

Para nós da Soul Brasil Media, que também acompanhamos tecnologia e marketing digital através da Kisuccess Marketing, essa tendência reforça algo que consideramos cada vez mais relevante: a melhor estratégia não é escolher entre inteligência artificial ou criatividade humana. É saber combinar as duas. A IA pode acelerar o processo. Mas estratégia, sensibilidade cultural, autenticidade e identidade de marca continuam dependendo  –  pelo menos por enquanto – de algo muito humano: bom julgamento.

FAQ – Perguntas Mais Frequentes

Os americanos são contra o uso de IA na publicidade?
Não necessariamente. A pesquisa Bentley-Gallup mostra uma diferença importante entre utilizar IA como ferramenta de apoio e empregá-la para substituir elementos humanos. Cerca de 75% aceitam seu uso para brainstorming e primeiros drafts quando divulgado.

O que é o “anti-AI flyer movement”?
É uma expressão informal para descrever a crescente reação nas redes sociais contra flyers e cartazes claramente produzidos por IA. Não se trata, até agora, de um movimento organizado nacionalmente, mas de uma tendência cultural observável em comunidades online.

Por que flyers produzidos por IA estão recebendo críticas?
Entre as críticas recorrentes estão aparência genérica, estilos repetitivos, erros visuais e a percepção de falta de esforço ou autenticidade. Discussões recentes entre consumidores e pequenos negócios americanos mostram que essas características podem inclusive afetar a percepção da marca.

Pequenos negócios deveriam deixar de usar IA no marketing?
Não. A questão é utilizar IA estrategicamente. Ela pode acelerar brainstorming, produção, pesquisa e experimentação, mas os resultados devem passar por direção criativa e revisão humana.

Qual pode ser a próxima tendência do marketing com IA?
À medida que conteúdo gerado por IA se torna abundante, autenticidade, personalidade de marca e criatividade humana podem se tornar diferenciais ainda mais valiosos. O desafio será usar automação sem transformar todas as marcas em algo visualmente semelhante.