A busca por imóveis mais acessíveis está transformando o mercado imobiliário dos Estados Unidos em 2026. Las Vegas e cidades da Flórida lideram a preferência de compradores que deixam regiões caras, como Los Angeles, Nova York e Seattle, em busca de moradias com preços mais competitivos.

A procura por moradias mais acessíveis está levando compradores americanos a considerar cidades do sul e sudoeste dos Estados Unidos, especialmente na Flórida, Nevada e Arizona.
A busca por imóveis mais acessíveis continua transformando o mercado imobiliário dos Estados Unidos em 2026. Com os preços das casas e as taxas de financiamento ainda elevados, cada vez mais americanos estão considerando deixar grandes centros urbanos, como Los Angeles, Nova York e Seattle, para procurar oportunidades em cidades da Flórida, Nevada, Arizona e outros estados do chamado Sun Belt. Las Vegas e cidades da Flórida estão entre os destinos mais procurados por compradores que desejam reduzir os custos de moradia, embora fatores como impostos, seguros, transporte e oportunidades de trabalho também influenciem essa decisão.
Os dados mais recentes da Redfin, referentes ao segundo trimestre de 2026, mostram que aproximadamente 19% dos compradores que pesquisaram imóveis nos Estados Unidos estavam considerando mudar para outra região metropolitana. Las Vegas liderou o ranking nacional de destinos, enquanto Los Angeles, Nova York e Seattle registraram os maiores saldos de pessoas interessadas em sair.
A tendência, observada desde 2023, revela como a acessibilidade habitacional, os juros hipotecários e as mudanças no estilo de vida estão redefinindo as preferências de quem pretende comprar uma casa nos Estados Unidos.
O mercado imobiliário americano em 2026: juros e preços influenciam as decisões
A dificuldade de encontrar imóveis compatíveis com o orçamento familiar continua sendo um dos principais desafios para quem deseja comprar uma propriedade nos Estados Unidos. Mesmo com algumas oscilações nas taxas de financiamento, o custo de aquisição permanece elevado em diversas regiões do país.
De acordo com a Freddie Mac, em 29 de outubro de 2026, a taxa média de uma hipoteca fixa de 30 anos estava em 7,24%, enquanto o financiamento de 15 anos apresentava uma média de 6,60%. Um ano antes, a taxa média de 30 anos era de 6,17%, demonstrando como o custo do crédito continua pesando no orçamento dos compradores.
Esse cenário faz com que muitos americanos ampliem suas pesquisas para além da cidade onde vivem. Em vez de insistir na compra de um imóvel em regiões tradicionalmente caras, potenciais compradores estão considerando cidades onde o preço das propriedades permite adquirir casas maiores ou assumir prestações mensais mais compatíveis com a renda.
O movimento também é influenciado pela possibilidade de trabalhar remotamente ou em regime híbrido, embora o retorno presencial aos escritórios tenha reduzido parte da flexibilidade que impulsionou as mudanças durante a pandemia.
As 10 cidades mais procuradas por compradores de imóveis nos EUA
Segundo o levantamento da Redfin referente ao segundo trimestre de 2026, nove das dez regiões metropolitanas mais procuradas estão no Sun Belt, denominação utilizada para identificar uma ampla faixa do sul e sudeste dos Estados Unidos, conhecida pelo clima predominantemente quente.
Las Vegas aparece na primeira posição, seguida por três regiões metropolitanas da Flórida: North Port, Orlando e Miami.
Confira o ranking das dez regiões com maior entrada líquida de interessados em imóveis, considerando a diferença entre usuários que pesquisaram propriedades para entrar e sair de cada mercado.
| Posição | Região metropolitana | Entrada líquida de interessados |
|---|---|---|
| 1 | Las Vegas, Nevada | 9.581 |
| 2 | North Port, Flórida | 5.873 |
| 3 | Orlando, Flórida | 5.742 |
| 4 | Miami, Flórida | 5.239 |
| 5 | Sacramento, Califórnia | 5.227 |
| 6 | Cape Coral, Flórida | 4.776 |
| 7 | Tampa, Flórida | 4.260 |
| 8 | Myrtle Beach, Carolina do Sul | 3.820 |
| 9 | Spokane, Washington | 3.712 |
| 10 | San Antonio, Texas | 3.685 |
Fonte: Redfin, levantamento do segundo trimestre de 2026. Os números representam o saldo líquido de usuários que pesquisaram imóveis em outras regiões, e não necessariamente mudanças residenciais efetivamente realizadas.
A Flórida se destaca particularmente nesse cenário. O estado aparece com quatro regiões metropolitanas entre as dez primeiras posições, enquanto Nevada, Arizona, Texas e Carolina do Sul também demonstram capacidade de atrair compradores interessados em alternativas às cidades mais caras.
Entretanto, a popularidade de uma região não significa necessariamente que todos os seus imóveis sejam baratos. A comparação deve considerar o preço de aquisição, os impostos sobre a propriedade, o seguro residencial, os custos de manutenção e as despesas de transporte.
Las Vegas, Flórida e Arizona atraem compradores de cidades mais caras
Um dos exemplos mais interessantes é Las Vegas, em Nevada, que assumiu a liderança nacional entre os destinos procurados por compradores no segundo trimestre de 2026.
A cidade recebe especialmente a atenção de moradores de Los Angeles, na Califórnia. De acordo com a Redfin, o preço típico de venda de uma casa em Las Vegas estava em aproximadamente US$ 447 mil, enquanto em Los Angeles chegava a cerca de US$ 922 mil.

Los Angeles, Nova York e Seattle estão entre as cidades que mais perdem potenciais compradores de imóveis para outras regiões metropolitanas americanas.
Essa diferença ajuda a explicar por que tantos compradores consideram deixar o sul da Califórnia para procurar propriedades em Nevada. A possibilidade de adquirir um imóvel por um valor consideravelmente menor representa um atrativo importante, principalmente para famílias que desejam mais espaço e menor comprometimento da renda com a moradia.
Phoenix e Tucson, no Arizona, também aparecem entre os destinos de interesse nos levantamentos de 2026. O estado oferece alternativas para pessoas que desejam continuar no oeste americano, mas procuram mercados imobiliários diferentes daqueles encontrados nas regiões metropolitanas mais caras da Califórnia.
Na Flórida, Orlando, Miami, Tampa, North Port e Cape Coral demonstram a força do mercado regional. A presença de grandes comunidades internacionais, o clima, a infraestrutura turística e as oportunidades profissionais contribuem para tornar essas cidades atrativas.
É importante destacar, porém, que a Flórida também enfrenta desafios relacionados ao custo dos seguros residenciais e aos riscos climáticos, especialmente em áreas costeiras. Por isso, um imóvel com preço de compra aparentemente vantajoso pode apresentar despesas adicionais significativas.
As 10 cidades americanas com maior saída de interessados em imóveis
Enquanto algumas regiões recebem cada vez mais atenção, outras continuam registrando um saldo negativo nas pesquisas imobiliárias.
Os grandes centros urbanos e as cidades costeiras de alto custo permanecem entre os principais locais de origem de compradores interessados em mudar de região. Los Angeles, Nova York e Seattle lideram esse movimento.
Confira as dez regiões metropolitanas com maior saída líquida de interessados em imóveis no segundo trimestre de 2026:
| Posição | Região metropolitana | Saída líquida |
|---|---|---|
| 1 | Los Angeles, Califórnia | 28.652 |
| 2 | Nova York, Nova York | 27.143 |
| 3 | Seattle, Washington | 24.728 |
| 4 | San Jose, Califórnia | 22.353 |
| 5 | Chicago, Illinois | 18.290 |
| 6 | Washington, D.C. | 17.787 |
| 7 | Boston, Massachusetts | 7.611 |
| 8 | Denver, Colorado | 5.816 |
| 9 | Minneapolis, Minnesota | 1.893 |
| 10 | Detroit, Michigan | 1.538 |
O caso de Los Angeles chama a atenção pela diferença entre o custo de aquisição de imóveis na cidade e em destinos como Las Vegas. Nova York também apresenta um movimento expressivo, com muitos compradores considerando alternativas na Filadélfia e em Miami.
Seattle, por sua vez, perde interessados para regiões como Portland e Phoenix. Já moradores da região de San Jose, no Vale do Silício, demonstram interesse em Sacramento, onde o mercado imobiliário oferece outras possibilidades de preços.
Califórnia continua perdendo interessados, mas ainda oferece oportunidades
A Califórnia aparece com destaque entre os estados que mais perdem interessados nas pesquisas imobiliárias. No segundo trimestre de 2026, o estado apresentou uma saída líquida de 56.548 usuários, quase o dobro do saldo registrado por Nova York, que ficou na segunda posição.
Esse movimento está relacionado ao elevado custo de moradia, aos preços dos imóveis, aos impostos e às despesas cotidianas, especialmente nas grandes regiões metropolitanas.
Entretanto, a saída de compradores não significa que a Califórnia tenha perdido sua importância econômica ou seu potencial imobiliário. O estado continua concentrando importantes centros de tecnologia, entretenimento, negócios e inovação, além de apresentar mercados residenciais bastante diferentes entre suas regiões.
Para quem pensa em comprar um imóvel como investimento, é fundamental avaliar fatores como localização, valorização histórica, demanda por aluguel, infraestrutura, impostos, seguros e perspectivas econômicas locais.
Não existe garantia de que imóveis na Califórnia sempre se valorizem mais do que propriedades em outros estados. Da mesma forma, comprar em uma região atualmente popular não significa necessariamente conseguir um bom retorno financeiro no futuro.
O mercado imobiliário precisa ser analisado considerando o perfil do comprador e o objetivo da aquisição, seja para residência própria, aluguel ou investimento de longo prazo.
Comprar uma casa nos Estados Unidos: o que os brasileiros precisam considerar?
Para o brasileiro residente nos EUA que deseja adquirir a casa própria, a mudança no comportamento dos compradores americanos também pode representar oportunidades.
Entretanto, escolher uma cidade apenas porque os imóveis são mais baratos pode ser um erro. Antes de tomar uma decisão, é importante avaliar o conjunto de despesas envolvidas na aquisição e na manutenção de uma propriedade.
Entre os principais pontos estão:
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Taxa de financiamento (mortgage): os juros influenciam diretamente o valor das prestações e o custo total do imóvel.
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Entrada (down payment): o valor disponível para a entrada pode determinar as opções de financiamento e as condições oferecidas pelos bancos.
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Histórico de crédito (credit score): a pontuação de crédito é um dos fatores considerados pelas instituições financeiras na avaliação do financiamento.
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Impostos sobre a propriedade (property taxes): os valores variam conforme o estado, o condado e o município.
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Seguro residencial (homeowners insurance): o custo pode variar significativamente conforme a localização, as características do imóvel e os riscos climáticos.
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Custo de vida e oportunidades profissionais: uma cidade com imóveis mais baratos pode apresentar despesas maiores com transporte ou menos oportunidades de trabalho.
Outro cuidado importante é comparar propostas de financiamento de diferentes instituições. O Consumer Financial Protection Bureau (CFPB), órgão federal americano de proteção ao consumidor financeiro, recomenda solicitar e comparar diferentes propostas de empréstimo imobiliário, conhecidas como Loan Estimates.
A comparação deve considerar não apenas a taxa de juros, mas também as prestações, os custos de fechamento (closing costs), os impostos, os seguros e outras despesas relacionadas ao financiamento.
Para entender melhor como o histórico de crédito interfere na aquisição de uma propriedade, confira também a matéria da Soul Brasil sobre a importância do crédito para quem deseja comprar uma casa nos Estados Unidos.
O que esperar do mercado imobiliário americano?
Os dados de 2026 mostram que a busca por moradias mais acessíveis continua influenciando a distribuição geográfica dos interessados em comprar imóveis nos Estados Unidos. Las Vegas, Flórida e outras regiões do Sun Belt estão entre as principais alternativas para quem deseja deixar cidades com custos habitacionais elevados.
Ao mesmo tempo, as taxas de financiamento continuam sendo um fator decisivo para a capacidade de compra das famílias. Mesmo quando uma propriedade apresenta um preço inferior ao de outra cidade, o custo total do financiamento pode tornar a aquisição menos vantajosa do que parece inicialmente.
Para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos e sonham com a casa própria, acompanhar essas mudanças é uma maneira de identificar oportunidades e tomar decisões mais conscientes. Afinal, o melhor lugar para comprar um imóvel não é necessariamente aquele que apresenta o menor preço, mas aquele que combina condições financeiras sustentáveis, qualidade de vida e perspectivas para o futuro.
FAQ: Perguntas frequentes
1. Quais são as cidades mais procuradas para comprar imóveis nos Estados Unidos em 2026?
Segundo a Redfin, Las Vegas liderou o ranking no segundo trimestre de 2026, seguida por North Port, Orlando, Miami e Sacramento. A Flórida e outras regiões do Sun Belt concentram grande parte dos destinos procurados.
2. Por que tantos americanos estão deixando Los Angeles e Nova York?
Os principais fatores são o elevado custo dos imóveis, as despesas de moradia, os impostos e o custo de vida. Muitos compradores procuram cidades onde possam adquirir propriedades por valores menores e ter mais espaço.
3. Qual é a taxa média de financiamento imobiliário nos EUA em 2026?
Em 29 de outubro de 2026, a Freddie Mac registrou uma taxa média de 7,24% para hipotecas fixas de 30 anos e 6,60% para financiamentos de 15 anos. As condições individuais podem variar conforme o perfil do comprador e a instituição financeira.
4. Vale a pena comprar imóveis na Flórida, Nevada ou Arizona?
Esses estados estão entre os destinos procurados por compradores em 2026. Entretanto, a decisão depende do preço do imóvel, dos impostos, dos seguros, das oportunidades de trabalho e das perspectivas de valorização de cada região.
5. Brasileiros residentes nos EUA podem comprar imóveis no país?
Sim. Estrangeiros podem comprar propriedades nos Estados Unidos, mas as condições de financiamento, documentação e análise de crédito variam conforme a instituição financeira e a situação do comprador. É importante consultar profissionais qualificados antes de iniciar a negociação.



