Um brasileiro está preso nos Estados Unidos há cerca de dois meses após ser detido por agentes de imigração durante uma entrevista oficial para obtenção do green card. Matheus Silveira, de 30 anos, foi levado sob custódia do ICE em San Diego, mesmo estando em processo de regularização migratória por casamento com uma cidadã americana. Ele e a esposa americana agora planejam deixar o país e recomeçar a vida no Brasil.

 

Matheus Silveira foi abordado por agentes do ICE dentro de um escritório do USCIS, em San Diego.

Matheus Silveira foi abordado por agentes do ICE dentro de um escritório do USCIS, em San Diego.

  Um brasileiro está detido nos Estados Unidos desde novembro de 2025 após ser abordado por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) durante uma entrevista para obtenção da residência permanente no país, o green card. Matheus Silveira, de 30 anos, permanece sob custódia no Centro de Detenção de Otay Mesa, em San Diego, na Califórnia.

A detenção ocorreu no dia 24 de novembro, durante uma entrevista realizada em um escritório do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS). Matheus estava acompanhado da esposa, Hannah Silveira, cidadã americana e veterana do Exército dos Estados Unidos, com quem se casou em agosto de 2024.

Segundo relato de Hannah ao portal americano Newsweek, a entrevista representava a etapa final do processo de ajuste de status migratório de Matheus. De acordo com ela, o pedido havia sido aprovado, quando, em determinado momento, a agente responsável informou que “pessoas no corredor” aguardavam pelo casal.

Na sequência, quatro agentes do ICE entraram na sala e efetuaram a prisão de Matheus, sob a justificativa de que havia um mandado relacionado à permanência dele no país após o vencimento do visto de estudante do tipo F-1.

Custódia e saída voluntária

Desde então, Matheus Silveira permanece detido em Otay Mesa. Ele obteve o direito à chamada saída voluntária — um mecanismo previsto na legislação migratória norte-americana que permite ao imigrante deixar o país sem uma ordem formal de deportação. Em contrapartida, o acordo impede o retorno aos Estados Unidos por um período de até dez anos.

A secretária-assistente do Departamento de Segurança Interna (DHS), Tricia McLaughlin, confirmou ao Newsweek que Matheus permaneceria sob custódia do ICE até a conclusão dos procedimentos de remoção. Em nota enviada ao portal, McLaughlin afirmou que ele foi preso como um “estrangeiro ilegal criminoso do Brasil que permaneceu no país após o vencimento do visto de estudante F-1”.

Em contato com o portal g1, familiares de Matheus contestaram o uso do termo “criminoso” e afirmaram que ele não possui qualquer antecedente criminal. A esposa também declarou que o visto do marido venceu durante o período da pandemia de Covid-19, quando restrições de deslocamento e funcionamento de órgãos públicos afetaram processos migratórios em diversos países.

Casado com a americana Hannah Silveira, veterana do Exército dos EUA, ele aguardava a regularização migratória

Casado com a americana Hannah Silveira, veterana do Exército dos EUA, ele aguardava a regularização migratória

Impacto familiar e decisão de deixar os EUA

Antes da prisão, o casal vivia em San Diego e planejava abrir um negócio em Minneapolis, no estado de Minnesota. Com a detenção e o acordo de saída voluntária, os planos foram interrompidos. Segundo Hannah, a decisão agora é deixar definitivamente os Estados Unidos e recomeçar a vida no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro.

“Eu não me sinto mais segura, não me sinto mais em casa. A América está quebrada”, afirmou Hannah ao Newsweek, ao explicar os motivos que a levaram a desistir de permanecer no país onde nasceu.

Hannah Silveira se alistou no Exército dos Estados Unidos em 2014 e foi dispensada dois anos depois por motivos médicos. Durante o período de serviço, atuou como combat medic (enfermeira de combate). Atualmente, trabalhava como advogada na Califórnia, mas sua formação não é reconhecida no Brasil, o que deve exigir uma mudança de carreira após a mudança do casal.

Já Matheus havia iniciado estudos voltados para o setor da aviação e pretendia se tornar piloto.

Debate sobre práticas migratórias

A prisão de um imigrante durante uma entrevista oficial para obtenção do green card reacendeu o debate sobre as práticas de fiscalização migratória nos Estados Unidos. Especialistas em imigração observam que, embora a detenção de pessoas em situação irregular tenha respaldo legal, historicamente entrevistas de ajuste de status eram consideradas ambientes de baixo risco para prisões.

Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes criticam a estratégia, argumentando que ela cria um clima de medo, desencoraja a regularização e afeta famílias binacionais — inclusive aquelas com vínculos diretos com as Forças Armadas dos EUA.

Autoridades federais, por outro lado, sustentam que a lei migratória deve ser aplicada independentemente do local ou da fase do processo, reforçando que o overstay — permanência além do prazo do visto — continua sendo uma infração administrativa passível de detenção.

O casal pretendia abrir um negócio em Minneapolis, mas agora planeja recomeçar a vida no Brasil.

O casal pretendia abrir um negócio em Minneapolis, mas agora planeja recomeçar a vida no Brasil.

FAQ – Perguntas Frequentes

Por que Matheus Silveira foi preso durante a entrevista do green card?
Segundo o ICE, ele foi detido por ter permanecido nos EUA após o vencimento do visto de estudante, mesmo estando em processo de regularização.

Ele cometeu algum crime nos Estados Unidos?
De acordo com a família, Matheus não possui antecedentes criminais. O caso envolve uma infração administrativa migratória.

O que é saída voluntária?
É um mecanismo legal que permite ao imigrante deixar os EUA sem deportação formal, mas geralmente impõe restrições de retorno.

Matheus poderá voltar aos EUA no futuro?
Pelo acordo firmado, ele fica impedido de retornar ao país por até dez anos.

Casos como esse são comuns em entrevistas de green card?
Especialistas afirmam que, embora legalmente possíveis, detenções durante entrevistas eram raras em anos anteriores.