Com preços elevados, juros ainda altos e renda pressionada, milhões de potenciais compradores nos Estados Unidos consideram a compra da casa própria inviável. Dados recentes mostram que o acesso à moradia segue como um dos principais desafios econômicos do país em 2026.

 

Por Lindenberg Junior

O sonho da casa própria está fora do alcance para milhões de americanos.

O sonho da casa própria está fora do alcance para milhões de americanos.

A dificuldade de comprar um imóvel nos Estados Unidos continua sendo uma realidade para grande parte da população. Segundo levantamento da Bankrate, aproximadamente metade dos potenciais compradores afirma não ter condições de arcar com a entrada e os custos iniciais da compra.

Os principais motivos apontados incluem:

  • Renda insuficiente: 54%
  • Custo de vida elevado: 51%
  • Dívidas de cartão de crédito: 18%
  • Falta de ajuda familiar: 12%
  • Dívidas estudantis: 10%

Apenas 13% dizem não enfrentar obstáculos para adquirir um imóvel.

Além disso, os custos iniciais continuam sendo uma barreira significativa. Nos EUA, o pagamento de entrada costuma girar em torno de 20% do valor do imóvel, enquanto os custos de fechamento — conhecidos como closing costs ou escrow — variam entre 3% e 6% do valor financiado.

Preços altos e juros ainda elevados em 2025 e 2026

Dados recentes indicam que, mesmo com algumas oscilações regionais, o mercado imobiliário segue pressionado. Informações da ATTOM Data Solutions mostram que os preços permanecem elevados, especialmente em estados com baixa oferta de imóveis, como Califórnia, Texas e Flórida.

Após o ciclo de alta iniciado durante a pandemia, o preço médio das casas nos EUA permanece acima de US$ 400 mil em 2025, segundo dados atualizados do U.S. Census Bureau e de entidades do setor imobiliário.

Já as taxas de financiamento, embora tenham recuado levemente em relação ao pico de 2023, continuam elevadas. Projeções da National Association of Realtors indicam taxas médias próximas de 6% a 7% ao ano em 2025, com expectativa de queda gradual ao longo de 2026, dependendo das decisões do Federal Reserve.

O peso real da entrada: números que afastam compradores

Considerando um imóvel médio de US$ 417 mil:

  • Entrada de 15%: cerca de US$ 62 mil
  • Custos de fechamento: até US$ 25 mil adicionais
  • Seguro hipotecário (PMI): pode adicionar até 1,5% ao ano

Ao mesmo tempo, a renda familiar média gira em torno de US$ 75 mil anuais, criando um descompasso significativo entre renda e custo imobiliário.

Não por acaso, 20% dos entrevistados dizem que nunca conseguirão pagar a entrada, enquanto 30% estimam levar mais de cinco anos para juntar o valor necessário.

Falta de imóveis disponíveis agrava o cenário

Um dos principais fatores que sustentam os preços elevados é a escassez de imóveis disponíveis no mercado. O baixo estoque — especialmente em áreas urbanas e regiões economicamente dinâmicas — mantém a concorrência alta.

Esse desequilíbrio entre oferta e demanda tem sido apontado como um dos maiores entraves estruturais do setor imobiliário norte-americano.

Especialistas não preveem uma crise imobiliária como a de 2008

Especialistas não preveem uma crise imobiliária como a de 2008

Vai haver queda no mercado imobiliário?

Apesar das dificuldades, especialistas não veem sinais de uma crise semelhante à de 2008. Dados da ATTOM Data Solutions indicam que os níveis de execução hipotecária (foreclosure) permanecem baixos.

Na Califórnia, por exemplo:

  • 2023: 23 execuções por 10 mil imóveis
  • 2009 (crise): 475 execuções por 10 mil imóveis

A diferença evidencia um mercado mais resiliente, sustentado por:

  • Mercado de trabalho ainda forte
  • Critérios de crédito mais rigorosos
  • Programas de apoio implementados durante e após a pandemia

Políticas públicas e perspectivas para os próximos anos

O Federal Reserve iniciou um ciclo de estabilização monetária, com expectativa de cortes graduais nas taxas de juros até 2026, o que pode aliviar parcialmente o crédito imobiliário.

Além disso, programas federais e estaduais voltados para first-time homebuyers continuam sendo ampliados, incluindo:

  • Incentivos fiscais
  • Assistência para entrada
  • Linhas de crédito subsidiadas

Ainda assim, especialistas apontam que essas medidas são insuficientes para resolver o problema estrutural de acessibilidade à moradia.

Quando é melhor comprar um imóvel nos EUA?

Tradicionalmente:

  • Primavera e verão: maior oferta de imóveis
  • Outono (novembro e início de dezembro): melhores oportunidades de negociação

No entanto, em um mercado volátil, o momento ideal depende mais das condições financeiras do comprador do que do calendário.

Image Placa de Casa a Venda nos EUAFAQ – Perguntas Frequentes

1. Por que está tão difícil comprar casa nos EUA?
Principalmente devido à combinação de preços altos, juros elevados, baixa oferta de imóveis e renda insuficiente.

2. As taxas de financiamento vão cair?
Há expectativa de queda gradual até 2026, dependendo das decisões do Federal Reserve.

3. Vale a pena esperar uma crise para comprar?
Especialistas dizem que não necessariamente, pois os preços podem continuar altos mesmo em cenários de desaceleração econômica.

4. Existem programas para ajudar na compra do primeiro imóvel?
Sim. Há programas federais e estaduais com subsídios, crédito facilitado e apoio para entrada.

5. O mercado imobiliário pode quebrar como em 2008?
Atualmente, os dados indicam baixa probabilidade de uma crise semelhante, devido a um sistema financeiro mais sólido.